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Cara, coroa, rainha: Aretuza Lovi, a drag que faz uma arte brasileira

Cara, coroa, rainha: Aretuza Lovi, a drag que faz uma arte brasileira

Participação: Elizabet Letielas

“Aretuza Lovi é uma Drag Queen, cantora e performer que está numa fase muito feliz da vida dela.” É assim que ela se apresenta no começo da entrevista. Aretuza começou sua carreira em Brasília e desde então tem reconhecimento na arte drag do Brasil, além de ser uma representante do grupo LGBTQ+.
Durante o bate-papo, conversamos sobre moda, estilo, músicas e o lançamento do seu novo CD. Confira na quarta edição do “Cara, Coroa e Rainha”:

VP: QUEM É ARETUZA LOVI?
Aretuza: Aretuza Lovi é uma Drag Queen, cantora e performer que está numa fase muito feliz da vida dela. E que está ajudando a levantar o movimento, não só o da arte drag, mas também com o movimento da música, quebrando barreiras. Porque a gente já tem um nicho muito grande de drags no Brasil e a gente também já tinha drags cantoras em um cenário antigo. Agora nós viemos totalmente renovadas, com uma frente mais moderna, com ritmos brasileiros, com a galera valorizando. Antigamente tínhamos uma drag music bem forte de vocais com muito house misturado e agora não, a gente canta letras que tocam e ferem aquele muro do tradicionalismo. Então Aretuza é essa batalhadora (modéstia parte) que está aí lutando por uma causa, por uma bandeira, mas acima de tudo por uma arte.

No vídeo Aretuza fala sobre suas inspirações para ser Drag Queen:

VP: COMO VOCÊ DEFINE O SEU ESTILO, TANTO EM MODA QUANTO MUSICAL?
Aretuza: Eu criei a minha personalidade. Quando eu comecei eu era extremamente caricata, não que isso seja um problema, mas era uma maquiagem muito mais pesada, mais esdrúxula. Pintava meu dente de preto, fazia uma pinta aqui (diz apontando para o rosto), cobria a sobrancelha e com o tempo eu vi que eu podia fazer humor, fazer música assumindo um estilo que me fazia bem que comportava dentro do que eu achava. Foi quando eu lancei o cabelo afro loiro, bem frisado, meio dread, raspado no lado e aí isso pegou e virou a minha marca. Eu acho que se nessa fase [começo da carreira], se eu tivesse colocado perucas normais o personagem não teria sido carimbado de alguma forma na mente das pessoas, porque onde eu chegava as pessoas já me reconheciam pelo cabelo. Com o tempo eu fui buscando a estudar mais o que entrava dentro do padrão do meu corpo. Moda é muito relativo, você tem que vestir o que se sente bem, o que é confortável e fod*-se quem não gostar. O importante é se sentir bem, brega ou não. Mas hoje eu busco pesquisar mais, hoje tenhp um styling que trabalha comigo que monta os meus looks, que é o João França.
Musicalmente a Aretuza é totalmente brasileira. Eu busco muito os ritmos brasileiros, tanto que a gente vai lançar um disco agora e para produzi-lo eu sentei e disse: “Eu quero totalmente brasileiro” porque é a cultura do meu país e eu quero valorizar isso.

VP: VOCÊ FALOU DO SEU CD QUE ESTÁ PRESTES A LANÇAR, PODE
FALAR MAIS UM POUCO DELE, SE VAI TER ALGUMA PARCEIRA?

Aretuza: O disco está em um embate, não sabemos se serão 8 ou 12 faixas. Eu estou sendo meio apertada, por que Fulano lançou disco, Beltrano lançou disco e agora estão pedindo para eu lançar, mas eu não fiz o meu disco pensando nisso. Já tem uns 4 ou 5 meses que a gente está produzindo esse disco e tentamos buscar os melhores produtores que são do RJ e que já produziram Anitta, Ludmilla, Iza, nomes grandes. Os compositores, por exemplo, temos o que escreveu K.O [da Pabllo Vittar], então o que eu posso falar dos disco é que tá lindo, muito lindo! Tá muito brasileiro, eu quis um disco extremamente tropical, que tenha empoderamento, que tenha militância, que fale do sofrimento das bichas, que as bichas sofrem tanto por romance, mas ao mesmo tempo tem muita bicha safada. E não podia perder essa essência que me consolidou, que foi o bate-cu, as bichas me conhecem muito pelas músicas que batem o cu. Tem participações especiais, eu revelei essa semana a primeira, na verdade, se a gente fechar 12 músicas, nós vamos ter 3 participações, se fechar às 8 só duas participações [estamos torcendo para que tenha 12 músicas, não é mesmo?!]. Uma é a Solange Almeida (ex Aviões do Forró), a gente já gravou uma música que se chama “Arrependida” que vai ser a mais romântica do CD, mais baladinha, mas extremamente tropical.

PS: Durante o show, após a entrevista, Aretuza anunciou ao público que uma das participações do CD não espera o carnaval para ser vadia.

No vídeo Aretuza fala sobre a importância de Drag Queens na mídia

VP: VOLTANDO A FALAR DA ARETUZA, QUAIS SÃO AS DIFERENÇAS ENTRE A ARETUZA E O BRUNO?
ARETUZA: Às vezes eles se misturam um pouco. A Aretuza é um espírito que fica encostada no Bruno e fica soprando no meu ouvido tudo o que eu tenho que falar, e eu tenho que ceder às vontades da Aretuza. Então eu já abri mão de várias coisas: já abri mão de morar perto da minha família, de ter um relacionamento, de ter uma vida social. É uma escolha, eu sou muito feliz e muito satisfeita por essa escolha. Eu acho que a personalidade da Aretuza é muito forte e do Bruno também. Eu sou extremamente exigente, eu sou insuportável (risos). Insuportável no que diz respeito ao meu trabalho. No pessoal você pode esculhambar, pode acabar comigo, mas não mexa com a Aretuza! A Aretuza e o Bruno são muito trabalhadores. A gente batalha muito 24 horas. O Bruno faz de tudo para que a Aretuza aconteça.

VP: O QUE É PRECISO PARA SER DRAG?
ARETUZA: Primeira coisa é gostar do babado (risos), tem que gostar mesmo. Hoje eu vejo uma banalização da arte em relação a que todo mundo se torna drag, qualquer pessoa pode ser drag, desde que se dedique para aquilo. Não estou falando que tem que parar a sua vida, mas busque estudar, se aprimorar. Eu vejo que tem muita bicha que veste uma roupa de mulher, coloca peruca na cabeça, faz um delineador “Eu sou drag”. Isso pra mim não é ser drag, é se montar para dar close. Ser drag é um movimento artístico, você vai buscar fazer show, performance, fazer apresentação de alguma coisa, ou fazer uma montação maravilhosa. Isso pra mim é ser drag.

Créditos: Gerson Bonotto

VP: QUAL É O CONSELHO QUE VOCÊ DÁ PRA QUEM ESTÁ COMEÇANDO NO MOVIMENTO DRAG?
ARETUZA: A primeira coisa a fazer é abraçar isso com amor, não pensando no preconceito, porque as pessoas são preconceituosas, até mesmo dentro do nosso meio existe preconceito. Um exemplo deste preconceito no nosso meio é: eu não posso namorar uma drag, o que minha família vai pensar? Meus amigos vão me zoar por eu estar namorando um cara que se veste de mulher! Então a primeira coisa é não dar ouvido ao preconceito. Segunda coisa: se sinta bem dentro do seu estilo e busque aprimorar aquilo. Hoje eu vejo que já tem muita bicha que chega bela, bonita. Isso é muito legal, porque ela já vem estudando antes de se montar e quando se monta é babado. Mas também é gostoso aprender! Meu conselho é fazer com amor que o resto vai ser consequência, não pensar em preconceito e só seguir em frente. Não se prender a coisas pequenas, intrigas, não se montar pra dar close na cara da outra, que tem muito isso também. Faça seu trabalho, faça sua arte. Hoje eu digo: minha arte é o meu trabalho e eu sobrevivo disso.

E para encerrar, confira o recado da Aretuza Lovi sobre o vale:

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