Close
Com amor, Simon – romance gay fala de amor, quebra padrões e é manual prático para a família

Com amor, Simon – romance gay fala de amor, quebra padrões e é manual prático para a família

Imagine os filmes da Sessão da Tarde. Com amor, Simon (Love, Simon) começa em um bairro de classe média dos Estados Unidos, onde jovens estacionam o próprio carro ou despedem-se da mãe na esquina da escola tipicamente americana. Logo depois a sequência de imagens de corredores, o sinal toca, um diretor meio sem noção recepciona os alunos. A garota popular e o bonitão do time de futebol se beijam, uma dupla de engraçadinhos faz alguma piada, a gente sabe de cara que é mais um filme sobre os “não-populares”. Logo em seguida a cena típica de guardar os livros no armário, um pop rock americano ao fundo, todos se perguntam quem vai com quem ao baile de fim de ano e uma voz que diz que todo mundo merece uma grande história de amor. Finalmente somos convidados a conhecer Simon Spier.

Aí você se pergunta: o que há de novo? E eu te digo: é um filme de sessão da tarde que jamais passaria na sessão da tarde por motivos de: a grande história de amor é sobre um jovem gay se descobrindo no ensino médio.

Tá, mas o que há ~realmente~ de novo? O filme de cara cumpre o papel de trazer uma comédia romântica – meio dramática – adolescente sobre um garoto gay em sua jornada de questionamentos da própria sexualidade, a estranheza de enfrentar um mundo de preconceitos e vários porquês: um deles é qual a necessidade de se assumir gay, quando nenhum heterossexual também precisa fazer? É isso aí, Simon!

E é essa a representatividade que importa no longa da 20th Century Fox, adaptação do livro best-seller ‘Simon VS. A agenda Homo Sapiens’, de Becky Albertalli. Ah, tem a volta às telonas de Jennifer Garner (De Repente 30, 2004) que interpreta a mãe sensacional do protagonista interpretado por Nick Robinson. Inclusive, as melhores atuações param por aqui.

‘Com amor, Simon’ é um filme teen gay que vai deixar a maioria dos adolescentes em fase de aceitação, que não contaram para os pais e amigos, e que vivenciam o ensino médio, desejando a mesma “sorte” de Spier. Você vai entender o porquê indo ao cinema.

Aos 17 anos, Simon tem uma bela família: uma mãe bem-sucedida, um pai bonitão e uma irmã mais nova que quer ser chefe de cozinha (ela rende cenas irreverentes). Não é popular, mas é divertido, cheio de referências pop, gosta de boa música, tem um quarto dos sonhos, três melhores amigos e seu grande segredo.

Cheio de clichês americanos, um blog anônimo faz fofoca dos alunos da escola e em um belo dia alguém resolve falar nesse site que é gay e como se sente sozinho. Simon se interessa por essa pessoa e resolve enviar um e-mail, com nome falso, falando sobre como é ser gay sem poder contar para as pessoas que mais ama. Nessa trama, o garoto acaba se apaixonando pelo “amigo virtual” e dividindo todas as suas angústias. A saga se completa com o vazamento da identidade de Simon e a sua busca pela personalidade do misterioso colega de classe por trás da troca de e-mails.

‘Com amor, Simon’ não tem grandes atuações, mas um elenco que você conhece: Katherine Langford, a Hannah Backer (13 Reasons Why), que se junta ao também inexpressivo Miles Heizer, da mesma série e Josh Duhamel, que não faz nada além do boy gostosão (no filme ele é o pai de Simon). Perde em excelentes interpretações, mas ganha em trilha sonora: de Jackson 5 a Whitney Houston; e até o pop atual de Troye Sivan e Normani Kordei, do Fifth Harmony, em parceria com Khalid. O roteiro de Isaac Aptaker e Elisabeth Berger é bem interessante: nos reserva diálogos de emocionar seguidos de boas gargalhadas. A direção de Greg Berlanti cumpre bem o objetivo de ambientar tramas adolescentes como também faz em Riverdale (2017).

E o final vai te fazer jogar o balde de pipoca para o ar!

Dos vários filmes gays que conhecemos, a maioria traz uma dura realidade da homossexualidade, algo que em “Com amor, Simon” é tratado de forma delicada, sutil, bem-humorada e… fofinha. Além disso quebra vários padrões e isso vale muito nos dias atuais. Sem spoiler, você vai entender isso direito no cinema, garota!

A “descoberta” da homossexualidade e todo o processo de aceitação são cercados de traumas para muitos jovens, principalmente para os que enfrentam a fase escolar. Quando todo o desejo é de ser bem aceito no círculo da família e amigos, é nesse cenário que tudo pode ser devastado. Com a história de Simon nos apegamos ao que é mais importante e nos transporta para uma outra realidade: uma história de amor e de sonhos. Por isso que vale a pena sonhar, ainda que no cinema.

Quer saber mais? Love Simon estreia no Brasil dia 22 de março. Abra as portas do armário e convide a família para assistir ‘Com amor, Simon’. Afinal, todo mundo merece uma grande história de amor e a sua não precisa ser escondida das pessoas que importam.

Assista ao trailer:

Ouça a playlist do filme:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Close