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Como eu pulei de exatas para humanas

Como eu pulei de exatas para humanas

Meu nome é Gabriele, tenho 21 anos e o meu sol é em câncer, caso essa informação seja necessária. Gosto bastante de dar rolê com os meus amigos (eu sou rolezera) e minha comida preferida é pizza.

Assim como um percentual de pessoas escolarizadas, passei 12 anos na escola. Não foi nada fácil. Passaram-se anos e anos e esse caminho continua não sendo fácil. Lembro-me muito bem de que do prézinho até a quarta série (atual quinto ano), foi divertido, talvez fosse porque onde finalizei essa etapa poderíamos participar de atividades artísticas, tais como: o famoso coral da escola, grupo de dança e também tínhamos a opção de plantar cenourinhas nas aulas de ecologia. Era um barato! Quando paro para pensar sobre essa época, penso que ainda bem que era divertido, bom, pelo menos para mim era, e se não fosse teria que permanecer o período integral de qualquer jeito gostando ou não, já que mamãe trabalhava e não tinha quem cuidasse da sua princesinha, vulgo, eu mesma.

Enfim, sobre a vida estudantil. A escola foi se tornando algo cada vez mais difícil, atribuindo um significado/peso enorme, adquiriu o papel de “formadora”, o de “preparar” e também o de “estude para ser alguém na vida”. A autocobrança vai tomando conta do nosso dia a dia, pois afinal, queremos a nossa tão famigerada independência e, como consequência disso, dinheiro no bolso, realização profissional/pessoal e a felicidade, que parece só chegar depois de passar por esses níveis até ultrapassar o chefão, que no caso, seria graduar em uma universidade, de preferencia pública, né mores?

São uma infinidade de coisas para se pensar, não é mesmo? É normal que nos sintamos sufocados e não nos sintamos preparados para decidir o nosso futuro com apenas 17/18 anos.

Euzinha, quando tinha 16 anos, estava cursando o ensino médio e resolvi me “aventurar”. Fiz um processo seletivo para ingressar em Mecânica Geral no SENAI, óbvio que eu não sabia direito o que esse curso significava, decidi que entraria porque minha amiga tinha falado sobre a instituição e ela prestaria para eletrônica, que era o curso que eu queria fazer (Maria vai com as outras, sim!) porém, dependia de uma ficha distribuída por indústrias parceiras que lhe davam a chance de participar do processo. Como cheguei tarde e não tinha mais ficha para eletrônica, peguei uma para mecânica mesmo. Para ser aprovada, eu e uma amiga estudamos o conteúdo programático durante as férias, e… PASSAMOS!! Eu nem acreditava que iria me tornar a mais nova graxeira e o orgulho da família. Foram dois anos de… olha, seria mentiria se dissesse que só de alegria. Foram dois anos de uma pressão fodida e uma vontade de gritar “O QUE QUE EU TO FAZENDO AQUI?”, muitas vezes chorei, fingi que eu amava tudo dali e no fim, quando vinha 8.5 no boletim, o sol se abria e repetia para mim mesma que o esforço e o desgaste tinham valido à pena. No ritmo de menor aprendiz e duplamente estudante, me formei. Ai, que alívio.

Época de vestibular, prestarei para engenharia mecânica. Não passei. Farei, então matemática, eu sempre fui tão boa e serei professora por ideologia, viva a educação! Quarta chamada da UTFPR, eis que o meu nome está na lista. EBA! Faculdade, tô dentro!

Caríssimos, quero chamar-lhes atenção para a rapidez de tomadas de decisões e faço-lhes o seguinte questionamento: PRA QUÊ? Estamos competindo uns com os outros o tempo todo, se você não fizer isso ou aquilo as suas chances de felicidade serão tomadas por outrém.

Permaneci por muito tempo no curso de matemática, para ser exata (rsrs), foram três anos e eu sabia que quanto mais prolongava minha estadia, mais chateada e frustrada eu ficava. Entretanto, a universidade têm o seu lado bom, ela amplia sua visão das coisas, você passa a conhecer melhor as outras áreas do conhecimento, e, de alguma forma, você passa a identificar-se com pessoas, e esse processo é bem importante, é o autoconhecimento e descobrimento que faz com que você perceba as sua aptidões.

No meu tempo de UTF, eu pude fazer matérias de outros cursos, que no caso são chamadas de matérias para enriquecimento curricular, foi a melhor coisa que fiz, o contato com disciplinas de outros cursos me ajudaram a enxergar que a minha inteligência não agregava a área de exatas, mesmo eu sabendo que se eu quisesse e gostasse, poderia me tornar uma ótima professora de matemática, só que eu não devia, essa competência não cabia à mim.

Depois de 20 anos de idade, ainda estava infeliz com o curso, por isso participei de várias amostras de profissões, tirei todas minhas dúvidas, assim enxerguei que a minha inteligência estaria sendo um desperdício se não fosse utilizada para a àrea de comunicação. Sim! Pasmem, eu era de humanas, aliás, eu sou e estou aprendendo a ser humanas. Vale lembrar a rejeição e o preconceito com os cursos desta área, que de um jeito meio torto faz com que neguemos essa opção.

No segundo semestre de 2017, iniciei meus estudos no curso de comunicação social com ênfase em publicidade e propaganda, o curso está sendo maravilhoso, tenho curiosidade e vontade de seguir em frente, é claro que ainda estou confusa quanto ao mercado de trabalho, quanto a qual deve ser minha àrea de atuação, mas sobretudo estou disposta a errar e a aprender. O que eu quero dizer é que, às vezes, levamos tempo para descobrir qual o curso que nos engrandece, às vezes passamos um, dois, três ou mais cursos “errados” para perceber que não somos nem de exatas e nem de humanas, mas de biológicas, e isso tudo faz parte, é tão normal e tanta gente passa por isso, que chega ser inconveniente pensar que estamos perdendo tempo e que somos pessoas muito confusas a ponto de não tomar decisões na hora “certa”.

Todo o trajeto que fiz, foi importante para entender sobre o universo acadêmico -e sobre mim mesma – e de forma alguma anularia isto.

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