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Endometriose: a doença da mulher moderna
Kamilla Deffert

Endometriose: a doença da mulher moderna

Apesar de silenciosa, a endometriose atinge mais de 6 milhões de mulheres no Brasil

A doença é silenciosa. Começa desde a primeira menstruação e atinge – durante a fase reprodutiva – entre 10% a 15% da população, segundo uma pesquisa da Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia. Apesar de invisível, a presença da doença no organismo da mulher é perceptível devido aos sintomas que causa, entre eles, dor forte durante a relação sexual, cólica menstrual e a infertilidade. A doença já foi citada aqui no site em um relato pessoal sobre como é conviver com ela.

“Eu sentia dores intensas e fortes que vinham até mesmo fora do período menstrual. Diante disso fui levada a uma videolaparoscopia de emergência. Mesmo assim as dores continuaram, foi então que descobri que precisava passar por um médico especialista e fazer exames específicos como a ultrassonografia com preparo intestinal”, conta Marília Gabriela, portadora da doença.

A endometriose se caracteriza pelo endométrio (revestimento da parede interna do útero) que em vez de expelir a menstruação, faz o caminho inverso, afetando outras regiões do corpo, como os ovários, útero, intestino, e intestino grosso.

A doença também está ligada ao sistema imunológico. “Durante o período menstrual a mulher fica com o sistema imunológico mais frágil”, comenta a ginecologista Rosa Maria Neme.

Existem vários estudos sobre o surgimento da endometriose nas mulheres, mas nada ainda foi comprovado cientificamente. O que se sabe é que a doença pode ser hereditária, já que atinge 51% dos casos nas famílias. “Apesar de ter diversos estudos, ainda não se sabe qual é gene que carrega a doença. É comum em uma família a doença estar manifestada em mais de uma mulher.” afirma a doutora.

A “doença da mulher moderna”, como é chamada, é muito investigada, já que ela está aliada ao novo comportamento da mulher (ex: filhos em idade mais avançada, altos níveis de estresse e afins). Esses fatores contribuem para que a mulher menstrue mais vezes.

Antes de ser diagnosticada, a mulher sente muitos sintomas da doença, mas nem todas as mulheres sentem os mesmos sintomas, alerta a ginecologista. A dificuldade em engravidar, por exemplo, atinge de 30 a 50% das mulheres. Os exames realizados podem ser o exame ginecológico (toque vaginal), semestralmente.

Para casos mais avançados uma ressonância magnética e ultrassom . O exame de sangue CA125 detecta a endometriose somente para casos extremamente avançados da doença, como foi o caso de Karine Mayer.

Tratamentos para a Endometriose

A ginecologista Rosa Maria Neme aconselha as mulheres que são portadoras da endometriose que façam acompanhamento regularmente com um ginecologista, fazendo exames de toque semestralmente. O uso de anticoncepcional para controle menstrual também é uma forma de tratamento e a cirurgia é recomendada para casos mais extremos. “Já fiz 5 cirurgias e dois bloqueios nos nervos para segurar a dor.” conta Marília.

Seu nível é grave e atingiu a pelve e os nervos do plexo lombo sacral. Até hoje ela usa remédios para a dor e já ficou 1 ano a base de morfina diária. “Hoje trato suspendendo a menstruação”, conta. A doença, além de ser ginecológica, é multiprofissional. Muitas mulheres precisam de tratamento psicológico pela dificuldade de engravidar. “Elas são incompreendidas pela família e até mesmo pelo companheiro”.

Karine Meyer não conseguia engravidar e teve que fazer uma videolaparoscopia. “Comecei o tratamento para a endometriose, um mês depois eu engravidei”, relembra Karine, hoje com dois filhos. Depois do nascimento do segundo filho Karine optou por colocar o diu mirena, que corta a menstruação.

Existem estágios da Endometriose, que variam entre 1 e 4. A ginecologista explica os estágios:

  • A endometriose de primeiro grau afeta órgãos como: bexiga, intestino e ureter. Os sintomas comuns encontrados são: cólica, infertilidade e menstruação irregular.
  • O segundo grau é profundo, isso porque as queixas de dores fortes relatadas pelas portadoras, além de desconforto nas relações sexuais, sagramentos em outros órgãos.
  • O grau de três e quatro é Ovariana, esse estágio formam cistos em vários órgãos. O tamanho dos cistos é variável. O diagnóstico feito pelo ultrassom. para esses níveis é necessário o tratamento cirúrgico.

    Grupos de Apoio da Endometriose

    O Grupo de apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade- GAPENDI é um dos grupos que surgiu com o objetivo de levar informações corretas a mulheres que são portadoras da doença.

    Segundo Marília Gabriela Rodriguez, coordenadora do projeto, o grupo, além de trazer informações da doença, traz apoio, ajuda e orientação necessária a todas as portadoras.

    Além disso, vários profissionais especializados auxiliam em algumas questões das leitoras do blog e cedem descontos para as portadoras que não tem condições de pagar um tratamento necessário com especialistas.

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