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Está temporariamente na moda

Está temporariamente na moda

No começo do ano, eu pegava minha câmera, ia pra rua, fotografava pessoas que chamavam minha atenção e perguntava para algumas: “o que é moda pra você?”. Respostas curtas ou longas. Muitas vezes preenchidas por uma série de “não sei”. Não que isso seja errado, pelo contrário, acho interessante. Ninguém espera ser parado por aí e questionado sobre a roupa ou estilo que veste.

Era uma brincadeira com deadline, eu tinha que fazer as fotografias e terminar o texto em um determinado dia da semana. Nem sempre dava certo, então, abandonei a ideia. Se você quiser ler as colunas, clique aqui, elas ainda estão no Curitiba Cult.

Em um dos textos que escrevi aqui no site, falei sobre ter me afastado da moda. Refleti sobre meus argumentos, talvez eu tenha publicado cedo demais. Mas, ao mesmo tempo, acredito que minha opinião mudará em cada texto. Porque moda hoje é “sim”, amanhã é “não”, vocês sabem como funciona. Só que, em determinado momento, a gente deixa de ser o malabarista, que está ali jogando e equilibrando tendência, “sim” e “não”, grana para comprar e tempo para decidir o que usar. A gente dá um basta e diz que só vai usar o que quiser, avisa: “o estilo é meu, foda-se”. E é mesmo, só que não precisa ser por rebeldia sem causa.

Um dia antes do ID Fashion, saí com um amigo. Apesar de usar apenas preto, naquele dia, meu estilo não estava nadinha emo gótica. Jaqueta de couro, regata de renda, calça moletom da Adidas, um tênis qualquer azul marinho. A calça era larga, eu andava um pouco e logo tinha que puxá-la para cima (a compra por conforto quase virou um prejuízo, precisarei ajustar). A regata, justa demais. Embaixo dela, o cós da calça parecia uma espécie de segunda cintura de tão grudado. Terrível. No final das contas, eu não estava me sentindo bem naquela roupa – nem com a jaqueta, que não largo por nada, mas que é muito pesada e detona meus ombros. Nada confortável, muito menos “eu”.

Aí o dia do evento chegou. Pensei em dar uma desculpa das boas para não ir. Mas, para mim, compromisso é compromisso (sendo isso óbvio para você ou não). Vesti algo básico. Um jeans justo com as barras dobradas, assim minhas canelas não ficariam sufocadas (e é por isso que digo “sim” ao mom jeans/calça de cintura alta). Uma camiseta manga 3/4 cinza. A jaqueta de couro preta. Minha bolsa redonda, também, preta com uma rosa vermelha bordada à mão. E, por fim, meu grito de come back: um oxford/derby preto no formato masculino (euzinha acho aqueles vendidos “para mulheres” uma tremenda farsa). O sapato arrancou olhares, claro. E, pelo que consegui ouvir, comentários positivos. Meus pés agradeceram ao modelo Mr. Cat super confortável comprado em um brechó daqui da capital. E eu agradeci por usar, finalmente, algo que combinava comigo e me deixava bem.

Durante o evento, decidi que voltaria com a ideia da coluna “O que é moda pra você?”, só que, dessa vez, o conteúdo sairia em formato de vídeo, uma espécie de documentário com várias pessoas respondendo à pergunta. E o resultado ficou bacana, você pode assistir no final do texto. O “Experimente!” do ID Fashion funcionou. Trouxe gente que gosta de moda, que não ficou em casa só porque não recebeu um convitinho com o nome gravado. Trouxe reflexão, emoção, dúvida e curiosidade, principalmente no canto do desapego (você vai entender em breve). E trouxe coleções daqui, de marcas que fazem um trabalho tão bom quanto grifes internacionais. Tá na moda dar valor.

Temporariamente, é isso.

1 comment

  1. A forma que você escreve é tão real, que faz a leitura ser fácil, a ida e vinda de pensamento e as vezes devaneios no texto é encantador.

    O vídeo ficou incrível, parabéns Uliane e Raul!

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