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Evento com Diva Guimarães e Manuela D’ávila ressalta a importância da resistência no Brasil

Evento com Diva Guimarães e Manuela D’ávila ressalta a importância da resistência no Brasil

Com lotação máxima, Teatro da Reitoria foi palco de mulheres empoderadas debatendo acerca de questões de gênero e resistência

O Instituto política por/de/para mulheres realizou no último dia 11, no Teatro da Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o lançamento do livro “Gênero e Resistência”, um compilado de pesquisas apresentadas no II Encontro de Pesquisa por/de/sobre mulheres no ano de 2018.

O evento contou com a presença das convidadas Diva Guimarães, professora paranaense que ganhou grande destaque nacional ao falar sobre preconceito racial na (FLIP) Festa Literária Internacional de Paraty, no ano passado, e Manuela D’ávila, ex- candidata a vice presidência da República e autora do livro ”A Maternidade é Revolucionária”, também lançado no evento. O debate contou ainda com acessibilidade para pessoas surdas ao trazer ao palco do auditório uma intérprete de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais). O Instituto evidencia ainda a necessidade de que a universidade seja acessível a todas. Atualmente, o Teatro da Reitoria não possui acessibilidade para cadeirantes.


Foto: Instituto por/de/para mulheres

As inscrições para participação no debate foram esgotadas logo que lançadas, e não foi diferente no dia do evento. O Teatro da Reitoria teve sua capacidade máxima esgotada, e muitos sentaram no chão para acompanhar a fala das convidadas que emocionaram o público no local.

Diva Guimarães em entrevista, relatou um pouco de sua trajetória, e como o preconceito racial sempre foi muito presente em sua vida. A aposentada de 78 anos conta que nunca abaixou a cabeça para o preconceito. Diva sabia do seu lugar no mundo, e principalmente de sua importância. Ao relembrar momentos de infância, Diva conta que sua mãe sempre fez política. ”Minha mãe era comunista”, brinca ao lembrar que sua mãe sempre a defendia em situações causadas pelo racismo. Os relatos de sua infância, e sobre as dificuldades acerca de ser uma criança negra, chocam. No Ensino Superior e no mercado de trabalho, o racismo sempre esteve presente.

‘Eu não tive oportunidade para falar, agora eu tenho e não é agora, com 78 anos que vou perder essa chance’, gritou com a voz embargada para o auditório lotado. Além disso, Diva enfatiza a importância dos professores na vida dos alunos, e como eles são agentes para prevenir que o preconceito aconteça dentro de uma sala de aula.

Manuela também comentou acerca do racismo enraizado no Brasil, e a importância e urgência de novas políticas públicas. A ex-candidata a presidência da república diz que o novo feminismo é marcado pelo empoderamento das mulheres, e a grande importância no volume de conscientização e de mulheres se mobilizando no mundo.”Antigamente não tinha quem me defendesse do título de musa do congresso que havia recebido”, comenta relembrando o título que recebera quando era Deputada Estadual. Manuela comenta ainda sobre os diversos casos de feminicídio, a dificuldade da mulher em ser respeitada nos diversos setores da sociedade, e o espaço de luta e resistência que se forma pelo Brasil. ”Não existe caminho para desenvolver o Brasil sem enfrentar a desigualdade”. enfatiza.

Ao comentar sobre a radicalidade de discurso e a instabilidade do novo governo, Manuela salienta a necessidade de se manter na resistência. ”Já temos presos políticos, exilados.. A forma como eu encontrei de manter a minha saúde mental é viajando e conversando sobre política, igualdade e amor”. A autora do livro ”A Maternidade é Revolucionária”, comenta seu desejo para que a primavera feminista seja classista, emancipatória e libertária.

Fotos: Instituto por/de/para mulheres

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