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Fui mãe aos 17 e minha vida não acabou por isso

Fui mãe aos 17 e minha vida não acabou por isso

*Manoela Costetti

Ser mãe é difícil. Ser mãe “antes do tempo” (como alguns gostam de falar) é mais difícil ainda. Eu, que nunca entendi como meninas engravidam cedo sendo que existem tantos métodos anticoncepcionais, descobri da pior forma: engravidando aos 17.

A descoberta da gestação foi uma verdadeira bomba. Foi como se todos os fenômenos naturais tivessem atingido minha vida ao mesmo tempo. Teve choro, explosão de raiva, felicidade, sorrisos e palmas. Teve “parabéns” e teve “o que você fez com a sua vida?” A gestação não foi tão mágica como me contavam. Foram altos e baixos.

Levou algum tempo até eu entender que a maternidade não é um comercial de fraldas. Demorei para me adaptar com os poucos amigos que restaram e com a dificuldade de me inserir em novos grupos. Também foi difícil parar de me importar com os olhares maldosos, cheios de julgamentos. Mas acostumei. Com o nascimento da minha filha eu tive a oportunidade de nascer de novo. Eu me descobri uma pessoa totalmente nova. Doeu, mas foi maravilhoso.

Tendo que cuidar de um recém nascido a gente se dá conta de todas as inseguranças que existem em nós. Percebemos que somos mais frágeis que o bebê. Mas logo aprendemos que não há nada de errado em assumir nossas fragilidades, que todo mundo é falho e medroso, e que quanto mais admitimos isso pra nós mesmo, mais nos tornamos fortes.

Minha bebê tinha apenas 5 meses quando outra bomba explodiu: eu passei no vestibular. Foi felicidade invadindo o peito e a sensação de que eu era capaz de tudo não me deixando parar de sorrir. O orgulho de ser mãe, nova, solteira e caloura de uma Universidade Federal me fazia querer gritar para todas as mães: acreditem em vocês mesmas!

Mais que depressa eu e minha família arrumamos as malas e nos mudamos para a cidade onde ia cursar a minha tão sonhada graduação. Cidade nova, gente nova, casa nova, rotina nova. Outro período de adaptação bem difícil. Eu amei o curso, mas senti o peso de não ter uma rotina igual a dos meus colegas.

Agora, já no finalzinho do ano de 2017, descobri que teríamos que voltar para Curitiba. Foi mais choro. Mais sentimento de impotência. Mais sensação de derrota. Mas olhando para minha menina consegui me recompor. O amor que sinto por ela me fez acreditar em tudo de novo.

Próximo vestibular estarei na concorrência. Eu não vou desistir. Carrego comigo o sonho de ver minha filha segurando meu diploma.

Aos que me deram parabéns ao saber que eu estava grávida: muito obrigada! E aos que me perguntaram sobre o que eu fiz com a minha vida, respondo: a melhor coisa que eu poderia ter feito!

Não saio por aí recomendando que as meninas fiquem grávidas cedo, não gosto de pensar que mais alguém passe tudo o que eu passei. Mas às meninas que assim como eu são mães, preciso dizer: não desistam de vocês mesmas! Seu filho vai se inspirar em você. Seja a melhor que puder para que sua cria se sinta incentivada a ser melhor.
Eu sei que isso parece distante, muitas vezes até eu perco a fé. Mas não desista. Os filhos crescem e você vai perceber que a vida não é só trocar fraldas.

Ser mãe nova não é o fim, é só o começo da sua nova vida.

1 comment

  1. oi! como você conseguiu conciliar estudos e gravidez? estou no 3°EM, meu bebezinho nasce no começo de julho, não sei se conseguirei fazer um bom vestibular… tenho medo pois me sinto cansada e com matérias atrasadas devido ao cansaso.. irei continuar indo às aulas até o máximo, não gostaria de perder essa fase tão importante e fundamental..

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