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Havaianas são a nova tendência fashion. Mas como chegamos a isso?

Havaianas são a nova tendência fashion. Mas como chegamos a isso?

As Havaianas são tendência de moda para o verão. Indo direto ao ponto, elas estão tirando o reinado das Birkenstocks, que passaram os últimos dois anos nos pés dos fashionistas. Mas como nós chegamos a isso?

O papel fundamental da pesquisa na moda

Até chegar no comércio para ser vendido ao consumidor final (nós), a produção de moda passa por diversas etapas. A principal, que define qual produto será esse (no nosso caso as Havaianas), é a pesquisa de tendências. Em linhas gerais, ela avalia as oportunidades de mercado, isto é, determina porque devem criar ou vender produtos muito além da ótica de que as pessoas desejam, mas também para que elas consumam.

Essa técnica nasceu na França, de mãos dadas com a Alta Costura lá na década de 30, e foi copiada pelos produtores norte-americanos. Durante aqueles anos os pesquisadores de tendências olhavam somente para França, Inglaterra e EUA, então todo resto da moda era alimentado na realidade destes países. E pouco mudou até os dias de hoje: as grandes marcas, ainda situadas nestes países e que vendem para classes maiores são as que investem em pesquisas, enquanto as que vendem para um público de classes menores apenas copiam as tendências. Um exemplo são os mais de 50 processos que a fast fashion Forever 21 – sempre atualizada na última moda – carrega por plagiar modelos de designers e grifes. Algumas das acusações vem da Gucci, Puma, Adidas e de Diane von Furstenberg.

Tretas a parte, uma fatia essencial da pesquisa são os coolhunters, profissão dos responsáveis pela caça do novo. O olhar deles geralmente fica em cima do ‘consumidor inovador’, aquele que ousa, que gosta de uma moda radical, que adora inovações inusitadas e tem condições financeiras de bancar esses gostos. Familiar? Sim, equivalem-se desde blogueiras, instagramers, influencers até aquela pessoa que você conhece que sai da curva na hora de se vestir. Os consumidores inovadores, segundo o pesquisador de Moda da Unicamp e Diretor de Consultoria André Ribeiro de Barros, correspondem de 0,2 a 2,8% da população consumidora e é extremamente responsável pela abertura inicial para que o restante da população comece a adotar as peças da temporada, já que todos estão de olho no que eles usam.

Então as marcas pesquisam antes de lançar qualquer item. Se é bem recebido pelo consumidor inovador, ponto positivo! É ele que levará o restante da população a aderir à tendência, que por sua vez será replicada por fast fashions, chegará ao restante da população, se tornará massificado e então cairá em desuso. Quando a peça chega ali nas lojas de departamentos, geralmente já existe uma nova tendência no radar dos coolhuters, consumidores inovadores e dar marcas que vendem para as classes A e B.

E quem hypou as Havaianas?

Agora que você já sabe que toda tendência nasce de uma pesquisa, fica mais claro entender como chegamos nas Havaianas. Sobre quem hypou as Havaianas, as pesquisou, olhou para o consumidor inovador? Bem, sabe aquela foto da palestra “It’s ugly until Rihanna decides it’s not”? Tudo bem se você não sabe, é um meme. Mas enfim, o hype dos chinelos começou com ela própria. Não que nossa borracha brasileira seja feia, mas ela colocou os chinelos em saltos para sua coleção Fenty Puma by Riri, e aí talvez tenham ficado feios. Mas só é feio até ela decidir que não.

Havaianas nas grifes:

Modelos de Havaianas com salto na coleção de Verão 2018 Fenty Puma by Rihanna.
Modelos de Havaianas na coleção de Primavera Verão de 2018 de Michael Kors.
Havaianas na coleção de primavera verão de 2018 de Isabel Marant.

Havaianas nos consumidores inovadores:

Internacionalmente falando / Internacionalmente hablando / Internationally speaking

As Havaianas são tão comuns em nosso dia a dia, com comerciais cheios de atores globais enquanto assistimos nossa novela, que nem imaginamos o tamanho de sua proporção fashion a nível internacional. Pois é, a Anitta não é a única brasileira com carreira na gringa. Os chinelos de borracha que foram inicialmente criados para as classes C, D e E e com plano real de 1994 virou o jogo e se segmentou para as classes A e B, já participou até mesmo de feiras de moda em Paris em 2001. No exterior, os pares são vendidos em butiques sofisticadas, geralmente por 25 ou 30 euros, algo em torno de R$ 120,00.

Internacionalmente falando, seu posicionamento nos outros países vende mais sua marca como algo de prestígio. Por lá, o número de lojas onde os consumidores americanos encontraram as Havaianas já chegou a ser de 4,5 mil em 2009. Todo esse hype atual da marca levou a um crescimento de 9,5% de comercialização de sandálias para o mercado externo só no primeiro semestre de 2018. Todo mundo usa mesmo.

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