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ID Fashion: desfile da Recco lingerie é um passeio romântico no parque

ID Fashion: desfile da Recco lingerie é um passeio romântico no parque

É de conhecimento mundial que durante o desfile da VS as modelos caminham pela passarela com as lingeries sexys e criativas da marca. Geralmente elas estão em cima de um salto, botas ou qualquer coisa que as deixem mais altas ainda. Na frente de um mar de estrelas de Hollywood, as angels dão sorrisinhos maliciosos enquanto passam com seus peitos espremidinhos em sutiãs de bojo – algo que, se você é mulher, vai entender que não tem nada a ver com conforto.

Sendo um acontecimento marcante na moda, foi desta forma que a VS deixou construído em nosso imaginário um padrão de desfiles de lingeries envolvendo ser sexy ao extremo. Mas bastou uma edição do ID Fashion 2018, um evento de moda local, para quebrar esse estereótipo.

Responsável por fechar os dois dias frenéticos do ID Fashion 2018, a marca Recco lingerie, de Maringá (PR), deixou todos suspirando (de amor) ao desfilar suas roupas íntimas. O auge do desfile, apresentado no último dia 26/09, foi a modelo abrindo e fechando o catwalk andando em cima de uma bicicleta com cestinha repleta de flores amarelas, usando um macacão delicado e leve, em tom de pérola harmonizando com os detalhes da peça em azul claro e rosa. Ali a marca já avisava: vai ser leve e encantador. Era reconfortante como assistir a qualquer filme de Audrey Hepburn gravado em Paris.

Quando a bicicleta e o macacão em tom de pérola saíram de cena, toda plateia foi apresentada a uma legião de sutiãs de renda, camisolas, bodies, baby dolls, quimonos, calcinhas, roupões de seda e cintas-ligas. Mas pasmem: nada era vulgar. As modelos entravam e davam uma voltinha frágil, fluida e cortês no centro da passarela. Era um detalhe simples, mas dava mais um toque de leveza e delicadeza a coleção intitulada ‘The Simple Life’, da marca presente no mercado há 39 anos.

A leveza e delicadeza eram multiplicadas pelas luzes amarelas incendiando o grande salão e combinavam também com a fumaça branca espalhada pelo ar e saindo diretamente das cortinas claras ao final da passarela. Tudo conversava com a música italiana que preenchia o som ambiente na voz de Gino Paoli cantando Sapore Di Sale.

Olhando ao redor, diretamente do cantinho reservado à imprensa para conseguir as melhores imagens do evento, era possível enxergar diversos sorrisos. Sorrisos sem malícia, acompanhados de bocas abertas. Um conjunto que demonstrava que ninguém esperava por aquilo.

A última modelo desfilou e a protagonista da bicicleta entrou novamente para anunciar o fim. A Recco lingerie foi aplaudida e entre as palmas ouvi o comentário mais coerente sobre o desfile: “Ninguém ali ficou olhando pra bunda delas, apesar de ser um desfile de lingerie! O clima não deixou parecer que era um desfile de lingerie”.

E foi exatamente isso! Não era o clima do desfile padrão de calcinha e sutiã inserido no nosso inconsciente. Não haviam peitinhos espremidos. Muito pelo contrário: as modelos estavam confortáveis em pedacinhos de rendas que não apertavam seus corpos para parecerem algo avantajado, algo que não são. Tudo na Recco era confortável e leve. Como um passeio romântico de bicicleta no parque em um fim de tarde de verão.

Foto: Antonio More

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