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I’m sorry

I’m sorry

Era um dia desses em que o tempo para e a gente vê o infinito percebido através da felicidade.
Eu estava de férias em uma pequena ilha muçulmana na Indonésia, um lugar desses bem longe do continente, tranquilo, com uma natureza exuberante.
Antes de ir algumas pessoas me falavam que seria perigoso, que os muçulmanos, especialmente os homens,são agressivos e quando veem mulheres andando sozinhas chegam a perseguir e matar a machadadas.
Alguns estigmas marcam pessoas e culturas e outros ferem. O que é vendido para o resto do mundo sobre esses povos causa um distanciamento e um medo coletivo, e as histórias que são comuns a todos acabam virando a identidade dessa cultura.

Também falaram que o lugar era pobre, sem saneamento, que seria um tempo difícil.

Em uma hora é possível dar a volta na ilha de bicicleta, a pobreza não se vê, o mar é azul da cor do céu provando que o infinito de possibilidades está disponível para todos, as pessoas têm suas casas, suas vidas, sorriem.
De manhã fiz amizade com dois irmãos na praia, eles falavam um pouco de inglês, um deles a todo momento dizia: “I’m sorry”.

Ele era muito alegre, contava histórias sobre os deuses hindus, fazia piadas sobre o sol e dava dicas sobre as festas na ilha.
Rimos muito, curtimos a praia, tomamos café, e na praia, café não é um grande costume por aqui, mas foi como o símbolo de uma reunião entre amigos de longa data.

A tarde chegou um grupo de mulheres, era uma família, tinha a avó, mãe, tia, filhas, cada uma de um jeito, apenas uma falava inglês e muito mal, mas nosso entendimento era de alma.
Ficamos todos ali, juntos, em frente ao mar, se conhecendo, se permitindo, eu, os irmãos e as mulheres, um traduzindo o que o outro falava.

Elas contaram que podem escolher como se vestir, com quem casar e se vão casar, que estudam, trabalham, vão à praia, namoram, fazem tatuagem.
São felizes? São mulheres, e assim como no ocidente lutam por um espaço de existência livre, de apenas ser.
Eu estava de biquíni, como vou à praia no Brasil e elas completamente vestidas, não falávamos a mesma língua e conseguimos nos compreender, nos respeitar. Achei elas lindas.
Quase fiquei com eles, tive a sensação que se não saísse de lá naquele dia, não sairia nunca mais. Foi um grande encontro.

E os muçulmanos? “I’m sorry”, não são todos terroristas.

1 comment

  1. Obrigado Algarvio.daqui dos Açores!!!gluten sensitivity

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