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A memória da Itaipu Binacional em um homem: Ibanês da Silva
Milena Campos

A memória da Itaipu Binacional em um homem: Ibanês da Silva

Ibanês da Silva, conhecido como Didi, trabalhou a vida toda como mestre de obras e ajudou na construção da Itaipu Binacional, a maior rede geradora de energia limpa e renovável. Hoje, mesmo aposentado, passou em uma seleção para trabalhar como guia turístico da Itaipu, a hidrelétrica que tanto ama e que acompanhou o processo de levantamento, sendo a primeira usina a integrar a rede mundial de reservas da biosfera.

A Usina possui 20 unidades geradoras, que em climas favoráveis podem chegar a 100 bilhões de quilowatt-hora, adquirindo sua totalidade de energia dividida para o Brasil em 19,3% e para o Paraguai em 87,3%.

Como Ibanês chegou à Itaipu Binacional

Em 1974 a Itaipu Binacional começou a ser construída. Até o ano de 1978 levantou mais de 9 mil casas para funcionários, incluindo a estruturação de um hospital que para seu levantamento começou uma busca por operários justamente quando Ibanês estava à procura de um trabalho, o que o ajudou na grande oportunidade de emprego.

Letreiro Itaipu Binacional
Foto: Rubens Fraulini – Entrada da Itaipu Binacional

Ele lembra exatamente o dia que começou a trabalhar: 18/02/1978. Contratado pela empresa UNICON (União de Construtores Ltda), exerceu o papel de feitor de pedreiros no setor de lançamento de concreto. Até 1985 passou por outras empresas e outros cargos. Voltou para UNICON por um período, foi encarregado de pedreiro, foi mestre de obras na TENEGE, foi feitor de projetos, entre outros cargos.

Ibanês precisou sair dessa vida pelo cansaço diário, pelos barulhos estridentes e principalmente pelas variações das escalas, que o faziam trabalhar algumas vezes de madrugada. Sua filha conta que até hoje ela sente pelo pai ter saído. Ela lembra que eram muito pobres e a Itaipu Binacional fornecia cestas básicas e brinquedos e este era o único momento em que ela sabia que ganharia algo para brincar.

A volta de Ibanês à Itaipu Binacional

Após 34 anos, a Itaipu abriu um processo seletivo com seis vagas para operários que ajudaram na edificação da Usina. Por mais que meu Ibanês estivesse aposentado, ele poderia participar dessa seleção. A primeira etapa se deu com 200 candidatos, contendo uma prova escrita. A segunda fase foi feita com 100 concorrentes e teve uma entrevista que abaixou a vaga para 20 pessoas e selecionou apenas 6 pessoas, sendo uma delas Ibanês, que na última fase foi escolhido para o cargo, para levar a memória da Itaipu Binacional.

Itaipu Binacional em ação
Foto: Caio Coronel – Itaipu Binacional em ação

Depois de um ano da sua volta para a Usina, Didi confessa emocionado: “Estou satisfeito por estar representando mais de 110 mil funcionários responsáveis pela construção da usina, a qual sou um desses”. Hoje, ele é a história viva da Hidrelétrica e exerce um trabalho como monitor e contando sua trajetória. “É maravilhoso relembrar o passado. É gratificante ver o interesse dos visitantes ao me ouvirem e se sentirem maravilhados com minhas histórias”.

Perguntei a ele “O que o senhor mais ama na Itaipu?”, e com tanto orgulho que quase era impossível não notar, respondeu: “O que eu mais amo é observar aquela obra tão gigantesca funcionando a todo vapor e saber que tem um pouco de mim lá. Como diz a frase que está escrita atrás da minha camisa de uniforme: uma história de progresso construída com mãos firmes, coração grande e alma de artista”.

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