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Jaloo, o músico que vem dando novos ritmos à internet

Jaloo, o músico que vem dando novos ritmos à internet

Castanhal. Pará. É do norte do país que vem toda brasilidade de Jaime Melo, 27 anos: o Jaloo! “Hey! Cê não sabe quem eu sou.” A faixa “Vem” do primeiro disco de estúdio, intitulado #1, convida você para conhecê-lo. O artista paraense foi descoberto exclusivamente nas redes sociais e é um dos principais nomes confirmados nas listas de músicos nacionais mais promissores da atualidade; capa e matérias em grandes revistas e portais de notícias; ícone fashion; e queridinho dos apaixonados pelo som alternativo que ecoa da internet. Jaloo é pura novidade e traz conceitos diferenciados em sua música. O Via Palermo 42 conversou com o cantor, em Curitiba, e você confere agora uma reportagem especial sobre a sua versatilidade, musicalidade e ascensão da carreira musical. Vem!

“Tu te prepara, a carga é farta” 

Há seis anos o cantor, DJ e produtor musical começou a ‘brincar’ com música. Jaloo fazia remixes de grandes artistas como Amy Winehouse, Miley Cyrus, Rihanna, Beyoncé e Donna Summer e passava a detonar nas pistas. Misturava o som das cantoras com o vocal de estrelas brasileiras. “Oblivion Loló” é um de seus mashups mais famosos. A mistura de Grimes – principal inspiração musical – com MC Carol ganhou like até da própria musicista canadense. Se Grimes disse que é bom, é porque é bom, né non?

“Insight” é seu primeiro EP e título do principal single. O ano era 2014 e as três faixas fizeram com que Jaloo caísse nas graças do produtor internacional Diplo e fosse citado no site de sua gravadora, Mad Decent. O jovem de cabelos pretos e corte diferente, olhar profundo, de roupas nada convencionais e estilo próprio ganha o mundo.

É necessário algum artista internacional enaltecer um produto nosso para ser notado dentro do país? “É aquilo que aconteceu no começo da minha carreira e que acontece até hoje: santo de casa não faz milagre. Eu tive que ser falado no site da Mad Decent, do produtor Diplo (Major Lazer). A partir daí o pessoal do sudeste conheceu o meu trabalho e começou a falar sobre ele. A partir disso o Pará passou a falar sobre ele e souberam que ele existia”, conta.

Agora conhecido no país inteiro, pelo menos na internet, em 2015 lançou o single “Ah! Dor!” do seu álbum de estreia, #1. O título é curioso: o número um não é o topo das paradas que precisa necessariamente alcançar, e sim o prazer de ter algo novo, de ser seu primeiro CD. Brasileiríssimo, tem elementos da nossa cultura como a regionalidade própria do Norte do país: o ritmo tecnobrega, além de samples de músicas brasileiras, sincronia com batidas eletrônicas, pop e indie.

#1, disco de estreia de Jaloo. Foto: Divulgação
#1, disco de estreia de Jaloo. Foto: Divulgação

“Quando você me ouvir cantar é pra você se apaixonar”

Será que o cenário musical brasileiro e a mídia especializada em música se posiciona de forma avessa a produtos nacionais e originais como o som de Jaloo? “Uma coisa que me incomoda muito é a preguiça da grande mídia. Eu preciso mostrar minha mãe, mostrar minha casa, falar que eu sofri muito. Eu fiz um disco, eu fiz músicas que são cantadas por aí. Eu tenho a história de ser um menino que aprendeu as coisas sozinho. Eu tenho músicas interessantes, mas eles procuram sempre o lado do drama. Quando não é isso, é a questão de ‘pagapausionismo’”, em tom de humor, ele questiona a mídia que fala mais do mesmo.

Mas ele é confiante. E diz que o fundamental é que as pessoas saibam que é artista da internet e que tem toda segurança nesse ambiente. Afinal, é um espaço democrático em que existem várias possibilidades de artistas mostrarem conteúdos diversos. “Prefiro esperar que o público me convide, me chame, queira minha presença, do que ficar me enturmando, me enfiando em coisas pra conseguir possibilidades. Eu acho que isso é mais sincero. E é isso que eu sinto nos lugares. As pessoas me querem. Elas querem que eu venha, que eu cante”, diz.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

“Sempre costurando o peito. Moço sem respeito. Procurando paz.”

A imagem, sem dúvidas, é seu plus. Ele é uma mescla de andrógeno, indígena, multicor. Sem preocupação com gênero. Por vezes considerado esquisito, a verdade é que o músico tem estilo próprio. É, sem dúvidas, uma entidade musical que pretende abençoar o cenário com muita originalidade e versatilidade. A personalidade é tão forte, que refere-se a si mesmo como um personagem. “Eu falo até na terceira pessoa. ‘O Jaloo!’. Porque eu já deixei planejado que ele não vai ser só o que ele é agora. Ele vai mudar bastante. Vai ter várias facetas”.

Faz sentido. O ser humano transborda mudanças constantes. A criação de um personagem é partir de uma identidade visual e musical com muito cuidado e cautela. E o paraense é extremamente cuidadosi: “a minha identidade, o projeto, o disco, todas as frequências foram muito bem pensadas, para que tudo tenha uma harmonia legal. E aí você faz um disco inteiro pensando em um monte de coisas. Eu tomo as rédeas da situação inteira para que não aconteça da imagem deixar a desejar, para que não se torne algo que ninguém pensou, meio feito a três porradas, na mão de algum diretor que é amigo de fulano que eu não conheço”.

Bastidores da entrevista com o Jaloo para o VP42. Foto: Lucas Mayer
Bastidores da entrevista com o Jaloo para o VP42. Foto: Lucas Mayer

“O vento vai soprar. Tudo pode acontecer.”

E ele sonha. Como todo artista em ascensão, pensa grande. E os desejos de parcerias musicais são gigantes brasileiros. “Gal seria demais, principalmente porque ela é muito aberta a possibilidades. O Caetano também. Eu já conheço pessoalmente, a gente já bateu papo em outra fase quando eu era DJ que cantava um pouco, agora eu já sou performer, já me posiciono mais artisticamente. Seria demais fazer alguma coisa com ele”, confessa.

Nesse seu último disco, Jaloo também comprova que é muito independente. O disco não tem parcerias, e, segundo ele, foi por não achar necessário. A intenção é mostrar as habilidades como compositor, produtor e dono da própria batida. “Se não tiver que fazer eu não faço parceria. Se não for uma coisa sincera, eu prefiro não fazer. Esse disco conta com minhas inspirações da vida inteira; de ter sido um adolescente isolado e que jogava muito vídeo game; de onde eu cresci, vivi e quem eu conheci; até o fato de não ter tido muita experiência com música até meus 18, 19 anos”.

Para ele, vale mais a paixão pela música pop do que a questão de vendas, de top 10, e de posições nos charts. A musicalidade de Jaloo inspira-se apenas em uma fórmula de música pop bem feita. “O refrão com estrofe, todas as partes, tudo encaixando, gerando uma satisfação auditiva. Eu sou apaixonado por isso”.

Humilde, quando questionado se a música que produz tem espaço hoje no país, onde conta muito as posições nas rádios e tops, sorriu, pensou, respirou e disse: “eu estou tentando criar essa possibilidade, não só para mim, mas para os próximos que vierem”.

“Quando faz chover bem muito, você vem para o meu mundo”

Recentemente, como continuação da divulgação do seu álbum de estreia, foi lançado o clipe do single “Chuva”. “O clipe, assim como o disco todo, tem uma paleta de cores entre rosa e azul. Se você assistir esse e a todos os clipes, vai perceber que pensei tudo direitinho na composição visual”. O visual, realmente, é lindo. A direção, roteiro, produção e figurino do clipe são todas de Jaloo. Assista. E dance.

“No norte ele é estouro. E avisa os fulano: nosso bonde tá passando! Olha só quem tá chegando. Posso soletrar, pra entendimento melhor: é J-A-L-O-O”. Esperamos que ele entre agora para sua playlist. Ou que simplesmente dance seu som que, vamos combinar: é tudo de bom!

Não temos provas, mas temos convicção que você precisa ouvir:

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