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Lute como uma garota: o uniforme das feministas
Elizabet Letielas

Lute como uma garota: o uniforme das feministas

“Essa camiseta é um uniforme das feministas!” ouvi uma amiga dizer ao acabar de ganhar sua peça com a frase Lute como uma garota. E é sem medo algum que as meninas por trás da Peita intitulam a marca curitibana como feminista sim!

Com outras frases como pedale, tatue, toque, faça e corra como uma garota elas contam que a ‘Lute como uma garota’ – primeira t-shirt da marca – ainda é a queridinha, a que mais vende e que as pessoas mais se identificam. A camiseta começou a ser pensada por Karina Gallon após acompanhar a marcha das mulheres contra Trump. Ka percebeu que ali haviam muitos cartazes com frases que precisavam ser ditas além daquele espaço, em dias rotineiros, para qualquer pessoa que estivesse andando pelas ruas, e não só em manifestações. Foi então que surgiu a ideia de ‘vestir os cartazes’ e torná-los legíveis a todos, em todos os ambientes.

Pedale como uma garota – Marcha das Mulheres Curitiba. Foto: Luciano Meirelles

Estampando em camisas essas frases que não precisam de explicação para causar efeito, as meninas levam para o mundo empatia, empoderamento e sororidade. Palavras muito reforçadas dentro do movimento feminista, do qual elas afirmam que fazem parte, assim como afirmam seu posicionamento político como mulheres feministas. “Ser mulher é ser esquerda. Estamos à margem sempre. A gente nunca está no centro, a não ser quando estão nos difamando, apedrejando ou queimando.”

Lute como uma garota – Marcha das Mulheres Curitiba. Foto: Luciano Meirelles
Lute como uma garota – Marcha das Mulheres Curitiba. Foto: Luciano Meirelles

O destaque da marca não se dá só no ponto de assumirem um posicionamento feminista e de esquerda. As meninas também pensam na questão do consumo consciente e nos impactos da moda no meio ambiente (a indústria da moda é a segunda que mais polui no mundo). É justamente com foco nesses dois pontos que elas também rotulam a Peita como uma slow fashion – uma forma de consumo e fabricação sustentável, que valoriza a criação local, vai contra a produção em massa (fast fashion) e busca ser mais clara com seu consumidor quanto a todo processo de criação das peças.

“Não temos um super estoque e uma linha de produção grande. Quando acaba algum modelo, entramos em contato com quem comprou, pedindo se prefere esperar a produção das novas ou se quer trocar por alguma outra cor. A frase que a pessoa está comprando não deve representá-la apenas naquela semana, ela deve ser mais profunda e fundamental que isso. Quer dizer que se atrasarmos 15 dias para entregar, a representação da frase ainda assim é válida. Se não for, aí ela deve repensar o real motivo da compra”, explica Sarah sobre a aliança da marca com o movimento slow.

O Slow Fashion também não trabalha com tendências, com o que está em alta na moda, outro ponto que as meninas seguem desta forma de produção. Desta maneira, a Peita busca produzir com um tecido que resista ao tempo e não seja algo descartável aos consumidores, pois como elas mesmas colocam, enquanto o produto durar, a mensagem também dura. “A Peita veio para que a mensagem estampada seja a protagonista. Muito mais que ter o corte perfeito, ter várias opções de modelagem e ter melhor tecido, o que está sendo dito ali é o que importa” diz Sarah.

Lute como uma garota – Marcha das Mulheres Curitiba. Foto: Luciano Meirelles
Mulher solta a tua voz – Marcha das Mulheres Curitiba. Foto: Luciano Meirelles

Outro ponto de destaque da Peita é o valor. Todas as peças, de todos os tamanhos são vendidas pelo mesmo preço (R$ 55,00). Essa escolha foi feita pensando justamente nas pessoas que vestem além do GG e passam a vida pagando mais caro por isso. Sempre que pensam em alguma nova tática para produção das roupas, as criadoras se perguntam se elas se encaixam nos moldes do consumo consciente, se elas representarão todas as mulheres e se a atitude não afetará a mensagem do que elas querem comunicar.

Expandindo as frases para bolsas, peças infantis e moletons, ganhando prêmios (em 2017 as meninas ganharam o primeiro lugar do Destrava Awards da Aldeia na categoria Alô, mundo – projeto que cresceu mais que a cidade) e com mulheres poderosíssimas como a ex-presidenta Dilma, a cantora Gal Costa e as meninas da banda Mulamba carregando no peito as frases da Peita, é inevitável não querer saber destas mulheres qual a sensação de ver tantas garotas indo a luta com a peita delas. “A sensação é: bem feito! Fizemos algo pros outros que é bem feito – e isso é tão difícil!”, finaliza Sarah.


Em Curitiba a Peita pode ser comprada no Balaio de Gato, Viva la Vegan Bike Café, Bunda dura não treme ou pedida para ser entregue de bike. Em São Paulo ela pode ser comprada no Lobo Centro Criativo ou Maravilhosas Corpo de Baile. Para quem é de fora, as camisetas podem ser compradas pelo site.

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