Close
Oscar 2016: o olhar de Charlotte Rampling

Oscar 2016: o olhar de Charlotte Rampling

Ontem, durante a madrugada, conversei com a Sacha, que está colaborando com algumas críticas sobre o Oscar, e nos questionamos: será que a corrida de Melhor Atriz Coadjuvante, este ano, está mais forte que a de Melhor Atriz?

Aí, como eu ainda não tinha decidido qual filme escolher para a próxima crítica, tive a ideia de escrever sobre as concorrentes de Cate Blanchett (fiz a resenha de Carol, lembram?) na categoria de Melhor Atriz. E, hoje, vou falar sobre 45 anos, que rendeu a indicação da icônica Charlotte Rampling pela personagem Kate Mercer.

A atriz é pouco conhecida no cenário hollywoodiano, em algumas entrevistas ela deixa claro que não tem interesse em pertencer ao clubinho, mesmo assim, possui uma lista gigantesca quando se fala em atuações de filmes independentes. Assim como eu, talvez você pôde tê-la visto em A Duquesa (2008), como Georgiana Spencer, ou Malancholia (2011), no papel de Gaby. Em 45 anos, Rampling recebeu inúmeros elogios da crítica, alguns dizem que o longa é o auge de suas interpretações, eu não concordo nem discordo: assisti só aos três filmes e ela está nas telonas desde 1960.

No drama/romance britânico de Andrew Haigh, a atriz contracena com o fofíssimo Tom Courtenay, que interpreta seu marido, Geoff Mercer. O casal basta para o filme e Haigh deixa isso explícito na direção dos personagens: a história que interessa é a de Kate e Geoff. E que história! O longa aborda “fantasmas” de um relacionamento antigo – btw, talvez, a minha geração não vá compreender tão bem esse ~problema~, confesso que demorei para sacar o filme.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O roteiro, também de Haigh, é baseado na short story In Another Country de David Constatine (me arrisco a dizer: ter Rampling no elenco foi essencial, caso contrário, seria bem provável que o resultado não fosse tão bom). Nele, o casal está na semana de comemoração do quadragésimo quinto ano de casamento e, faltando seis dias para a festa, Geoff recebe uma carta da Suíça dizendo que o corpo de sua primeira esposa havia sido, finalmente, encontrado (digamos que ela, Katya, ficou congelada numa montanha desde 1962). A descoberta provoca certo desconforto em Kate e, claro, a saudade de Geoff, que passa a resgatar os momentos do relacionamento de sua juventude. Ah, e enquanto o filme desenrola, é quase impossível segurar a pergunta: será que eles vão manter os 45 anos até a festa?

A resposta, que você só vai entender se assistir ao longa, é o olhar de Kate do começo ao fim. Trabalhado de maneira espetacular por Charlotte Rampling, este é possivelmente o maior destaque de 45 anos. Sem dúvida, a academia acertou na indicação da atriz. Aliás, mesmo tendo amado Cate Blanchett no papel de Carol, acredito que Rampling mereça ainda mais.

SPOILER: para aguentar aquela quase-vida-fake e repassar os sentimentos ao público, acredito que seja preciso a experiência de uma vida trabalhando nas telonas e, óbvio, Charlotte Rampling não economiza a bagagem que possui. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Close