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A redenção de Kesha

A redenção de Kesha

Sem dúvida os últimos anos de Kesha não foram fáceis. Seu sucesso começou em 2009 com o hit Tik Tok, que mostrava um extremo de uma cantora que dizia: “Embebedando pouco a pouco / tocando nossos cds preferidos / Estamos nos animando para as festas / Tentando ficar um pouquinho tontos/ Não pare, agite-se / DJ, exploda meus auto-falantes / Nesta noite, eu vou resistir / Até nós vermos o sol nascer / Tique toque, no relógio / Mas a festa não para, não…” uma intensidade que fazia Kesha escovar seus dentes todas as manhãs com uma garrafa de Jack. Ou qualquer Whisky que estivesse mais perto das suas mãos. Entretanto, essa não era a verdadeira Kesha.

Compositora de várias músicas, a estadunidense já escreveu, por exemplo, “Till The World Ends” da Britney Spears em 2011 e outros diversos sucessos da Miley Cyrus, Miranda Cosgrove, Ariana Grande, The Veronicas e afins. Durante esse tempo, Kesha sofreu em silêncio nas mãos de seu produtor musical Dr. Luke (responsável por diversas outras artistas do mundo pop) que foi acusado pela cantora de assédio, abuso sexual e psicológico. O produtor também impedia que Kesha lançasse suas músicas, como realmente queria, o que acarretou em problemas físicos e emocionais, Kesha se viu novamente presa sem voz alguma, seu grito não era ouvido por ninguém.

Seu último álbum lançado foi Warrior, em 2012, que mostrou ao mundo que a cantora é uma guerreira, armada com unhas e dentes para se defender do produtor. Nesse ano, em várias entrevistas, Kesha afirmou que queria expandir seu som para deixar de ser aquela “garota louca que só queria dançar quando o sol nascesse”. Os fãs da cantora até fizeram um movimento na internet intitulado Free Kesha.

Em 2014 a cantora deu entrada em uma clínica de reabilitação para tratar de distúrbios alimentares, no mesmo ano Kesha também iniciou o processo que pedia o fim do contrato com o produtor, o contrato em questão previa o lançamento de 6 álbuns em que ele trabalharia com ela e teria novamente controle sobre todas as músicas lançadas. Apesar de a votação de júri não ter sido favorável para a cantora, que perdeu o processo, ela não se calou. Conseguiu a permissão de gravar e lançar suas músicas, seus álbuns, no entanto, continuariam a serem lançados com o selo de Dr. Luke.

Na madrugada do dia 11 de agosto Kesha lançou seu novo álbum “Rainbow” que mostra ser a verdadeira redenção da cantora. Suas letras falam de sentimentos, tristezas e emoções. E por que não empoderamento? Na faixa Woman, a cantora afirma: “Os garotos não podem comprar o meu amor / Eu faço o que eu quero (yeah), diga o que quiser / Eu dou duro todos os dias / Eu sou uma mulher do cacete, baby, tudo bem / Eu não preciso de um homem me apertando com força / Eu sou uma mulher do cacete, baby, certo”.

A primeira música lançada foi “Praying” que até esse momento mostrou ser a faixa mais sentimental do álbum: “Porque você trouxe as chamas e me fez passar pelo inferno / Eu tive que aprender a lutar por mim mesma / E nós dois sabemos toda a verdade que eu poderia dizer / Mas vou apenas dizer que isto é o meu adeus a você / Espero que você esteja em algum lugar rezando, rezando / Espero que sua alma mude, mude / Espero que você encontre sua paz / De joelhos, rezando…”, de fato a música é uma carta aberta ao seu ex-produtor Dr. Luke.

Rainbow mostra o outro extremo de Kesha: aquela artista que se adapta aos estilos musicais como pop-rock e country, como na canção “Hunt You Down” e “Boogie Feet”, parceria com Eagles Of Death Metale que não tem medo de se arriscar com parcerias incomuns com a cantora Dolly Parton na faixa Old Flames (Can’t Hold a Candle to You). Kesha é a prova que integridade (e identidade) artística é possível.

Ouça na íntegra Rainbow:

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