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Rio2016: Fuja do turismo de massa

Rio2016: Fuja do turismo de massa

Enquanto se navega nas redes sociais, os algoritmos fazem com que nas telas dos computadores surjam inúmeras promoções envolvendo pacotes de viagens ou até mesmos imperdíveis preços para hotéis e passagens de avião. Dessa forma, nos pegamos planejando a próxima aventura. A internet e o mundo globalizado possibilitaram a sensação que em um piscar dos olhos podemos estar em qualquer outro lugar no mundo. Nos tornamos viajantes sem mesmo estarmos nos descolocando constantemente.

No momento em que um destino turístico é escolhido, certamente, o despertar do desejo em conhecer aquele local é potencializado nos turistas. Logo, eles passam a se movimentar porque acreditam que o mundo que está a seu alcance é extremamente sedutor e vale a pena ser conhecido.

No Brasil, por exemplo, segundo os dados de 2015 do Ministério de Turismo, a cidade do Rio de Janeiro é o principal destino turístico do país, apresentando um crescimento ainda maior que nos anos de 2013 e 2014, mesmo com a realização da Copa do Mundo. Mas o que traz esses turistas, na maior parte estrangeira, para a cidade maravilhosa? A resposta está na própria cidade. Ao chegar no Rio de Janeiro, os turistas passam a conviver com os cariocas e com a essência dessas pessoas, que serviram de inspiração para poetas, artistas, fotógrafos e escritores. De acordo com as professoras do departamento de turismo e patrimônio da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Izabel Faria, Simone Feigelson e Vera Lúcia, no artigo “Nas tramas do turismo”, os turistas querem “vivenciar a sensação de ser carioca por algum tempo”, já que, para eles, o “ser carioca” é um estado de espírito.

A capital do Rio de Janeiro, assim como tantas outras no mundo, recebe na maior parte a prática chamada de “turismo de massa”. Para o turismólogo Marcelo Storniolo, em seu texto “Entenda a diferença entre turismo alternativo e turismo de massa”, os destinos de massa são uma “fábrica de consumidores em série, que passam a atrair cada vez mais, maior número de visitantes”. Sendo assim, normalmente é planejado de forma individual ou por agências que gerenciam pacotes que incluem as entradas para as atrações, hotéis, translado, entre outros benefícios. Portanto, Storniolo alega que a interação entre o “turista e o território” deixa de acontecer.

Para a idealizadora do projeto “Dentro do Mochilão”, a turismóloga Cristiane Marques, o turismo de massa está preocupado com a quantidade e não com a qualidade, portanto, além de atrair muitas pessoas, é responsável por inúmeros problemas culturais e ambientais. “Infelizmente, as áreas mais afetadas no mundo, pelo turismo de massa, são as costas litorâneas. Isso explica por que o segmento turístico mais procurado pelo turismo de massa é o ‘Turismo de Sol e Paria'”, apontou a mineira.

Para fugir dessa prática, surgiu o “turismo alternativo”. Segundo Marques, seriam esses turistas responsáveis por abrir caminho para a massa, já que eles partiriam da ideia de encontram novos locais, que com o tempo se popularizariam. Porém o turismo alternativo não é apenas fazer descobertas, mas sim buscar a originalidade, viver a cultura local, conhecer a realidade daqueles que vivem nos locais e estão visitando. “O turista alternativo busca por meio do modo de vida local conhecer a história, hábitos alimentares, costumes e outras características que expressam a originalidade de cada local. Viaja em busca de vivências singulares e sem dúvida, adquire conhecimento”, afirma Marques. Assim, pode-se dizer que se conheceu de verdade o destino escolhido.

Fuja do óbvio

Aproveitando o período olímpico, em que muitas pessoas estão e estarão visitando a cidade maravilhosa, vale ressaltar que os pontos turísticos tradicionais podem estar lotados de turistas. O Pão de Açúcar, o Corcovado, as praias da Zona Sul, a Lapa e outros locais mais conhecidos serão tão disputados quanto as medalhas olímpicas. No entanto, alguns outros pontos podem se tornar tão atrativos como os queridinhos.

O Rio de Janeiro oferece vistas incríveis, com diferentes ângulos, uma delas fica no Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas, que fica localizado no bairro de Santa Tereza, oferece diferentes produções artísticas desenvolvidas novatos e por nomes já consagrados. A vista das ruínas possui um olhar panorâmico para a Baía da Guanabara, de outro lado o centro da cidade.

Parque das Ruínas. Foto: Emanuelle Bezerra
Parque das Ruínas. Foto: Emanuelle Bezerra

Uma segunda opção é a Vista Chinesa. Localizado no alto do Parque Nacional da Tijuca, o local reúne a vista de inúmeros pontos turísticos como o Cristo Redentor, Baía de Guanabara, Pão de Açúcar, Lagoa Rodrigo de Freitas, praias de Ipanema, Leblon e Morro Dois Irmãos. Além disso, tem uma visão panorâmica de grande parte da cidade.

Vista Chinesa. Foto: Mario Howat
Vista Chinesa. Foto: Mario Howat

Um local que não deve faltar no seu roteiro, caso você seja um apreciador de aventura, é a trilha do Morro Dois Irmãos. O morro é uma formação rochosa de 533 metros de altitude, o caminho até o topo tem aproximadamente 1,6 km de extensão, mas é recompensado pela vista, onde é possível ter uma visão dos bairros da Zona Sul, como as praias de Copacabana, Leblon e Ipanema.

Vista do Topo da trilha Morro Dois Irmãos. Foto: Trilhando Montanhas
Vista do Topo da trilha Morro Dois Irmãos. Foto: Trilhando Montanhas

É comum que os turistas procurem a Pedra do Arpoador para apreciar o pôr do sol, no entanto, uma ótima alternativa seria ver o nascer do sol na Praia da Macumba, localizada no Bairro Recreio dos Bandeirantes. A praia é muito frequentada por surfistas devido às ondas fortes.

Nascer do sol na Praia da Macumba. Foto: Monica Barros
Nascer do sol na Praia da Macumba. Foto: Monica Barros

Para quem quer conhecer um pouco mais do samba carioca, a opção é conhecer a Roda de Samba da Pedra do Sal. Localizada no Morro da Conceição, o local é conhecido como “Pequena África”, que se estendia em volta da Praça Mauá até a Cidade Nova. Lá nasceu o samba urbano carioca, onde se deu a origem de sambistas populares. Hoje, é palco das rodas, como o grupo Roda de Pedra. As festas acontecem nas segundas-feiras.

Roda de Samba da Pedra do Sal. Foto: Agência de Turismo Receptivo
Roda de Samba da Pedra do Sal. Foto: Agência de Turismo Receptivo

Pensou em turismo na favela? Aqui no VP42, já falamos sobre algumas: Santa Marta e Cantagalo.

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