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Rosas são vermelhas e todas as roupas da Larissa Marques também

Rosas são vermelhas e todas as roupas da Larissa Marques também

Você consegue se lembrar de todas as roupas que usou nos últimos quatro meses? Ou melhor, consegue lembrar pelo menos das cores delas? A curitibana Larissa Marques consegue! Isso porque a dona do Brechó Fermín Cacarecos se colocou em um desafio: usar somente roupas vermelhas por 126 dias.

Onde há vermelho, há Larissa
Parece absurdo a ideia de alguém usar a mesma cor por tantos dias seguidos. E é. Entretanto, mais absurdo ainda é que de primeira ela entrou nessa porque simplesmente gosta da ideia de se desafiar e, só depois, começou a pensar em um propósito para o desafio.

Esse propósito foi fechado com as paixões, hobbies e trabalho de Larissa que é atriz, estuda numerologia e é dona de um dos brechós mais famosos de Curitiba. Então ela uniu performance, números e moda. “Na numerologia, a soma de 126 dá 9 e 9 significa fechamento de ciclo; eu sabia que o encerramento do processo ia dar no final do ano, então eu sabia que coisas iam se fechar para que coisas novas se abrissem”, esclarece a atriz formada pela FAP.

Quanto ao vermelho, não restam dúvidas que essa é sua cor favorita. Mas para se envolver tão profundamente com a vibração da cor primária, houve um estudo para entendê-la melhor. Foi através da pesquisa que Larissa descobriu que o vermelho é protetor, ele absorve toda energia ruim do ambiente, mantendo essa energia na cor e não deixando ela chegar até você.

Uma ideia na cabeça e um guarda-roupa vermelho na mão
A peça escolhida por Larissa para iniciar seu projeto all red foi uma camisa masculina de manga comprida. Mas nessa fase o projeto ainda era almost all red. Isso porque no primeiro mês a falta de peças da cor escolhida não permitia que Larissa executasse a ideia usando um look todo vermelho. Então era: vermelho + calça jeans ou vermelho + jaqueta preta.

Até que começaram a surgir peças de roupas vermelhas emprestadas de amigos, marcas e até mesmo outros brechós, dando mais força e incentivo ao projeto. E essa mãozinha ajudou para que Larissa fechasse seu guarda-roupa somente com peças vermelhas e passasse os próximos meses cumprindo seu desafio.

Mas ainda havia a dificuldade de deixar as combinações boas e coerentes. Para isso ela usava algumas técnicas ao se vestir. “Eu sempre penso no look e na ruptura do look, ou seja, no que quebra o look e não redunda ele. Eu não uso um salto com decote, eu uso o decote com tênis ou então uma camiseta com um salto. Eu sempre usei esse formato para me vestir e segui o mesmo durante o processo”.

Visto, logo existo
“Eu sentia que o vermelho era um motivo para as pessoas falarem comigo e eu me senti muito confiante. Não teve um dia que eu não estivesse decidida, que eu não conseguia resolver as coisas, conversar com pessoas. Eu me sentia tão forte que eu até ficava cansada de tanta força”, desabafa Larissa, que passou por diversas situações trágicas, cômicas e até mesmo assustadoras por conta da experiência.

O período das eleições de 2018 é um exemplo de situação assustadora pela qual ela passou, principalmente porque no Brasil, politicamente falando, o vermelho é a cor que remete ao Partido dos Trabalhadores (PT). “No primeiro turno eu fui de vermelho votar e fui ameaçada por uma mulher. Ela me disse: ‘Como você tem coragem de vir assim?’; e eu fiquei recuada”, relembra. Já no segundo turno, com as disputas acirradas entre PT e PSL e, logo em seguida com a vitória de Bolsonaro, o medo veio novamente. “Eu estava de vermelho aquela noite e eu senti um medo de existir na rua, sozinha, de noite e de vermelho. Não aconteceu nada, mas esse dia eu senti medo por estar de vermelho”.

No mais, Larissa chegou a ir de vermelho em casamentos, velórios, festas a fantasia e aniversários. Ela relembra que as situações mais engraçadas foram os dias seguidos em que precisou ir no banco e no cartório e as pessoas a olhavam como se ela fosse louca por estar religiosamente sempre vestida com o mesmo tom da cabeça aos pés.

Como eu era antes de você
Antes de toda ideia surgir existia um estilo específico que cercava a curitibana, e pasmem: ele era minimalista. Larissa era adepta do armário cápsula, método consistente em poucas peças que combinam perfeitamente entre si, sem exageros. Os tons que mais marcavam presença em suas composições eram os sóbrios preto, branco e cinza, que ela pretende voltar correndo assim que o processo se der como encerrado.

Mas isso não significa que ela abandonará suas peças vermelhas. “Tem coisas que eu estou me desfazendo, tem coisas que eu estou devolvendo, muita coisa vai rodar, mas tem itens vermelhos que eu amo demais, como meu all star de plataforma, minha papete e meu body.”

Rito de passagem
O processo de Larissa chegou ao fim no dia 23/11. O fechamento do ciclo aconteceu com uma festa organizada no jardim de seu brechó, em que nem a parede se salvou e foi pintada de vermelho. A escolha da última peça vermelha usada por Larissa foi um top, uma capa e uma saia da marca curitibana Transmuta. Não há arrependimento no processo que ela escolheu para enfrentar durante os últimos meses, mas ela brinca que única coisa que quer de agora em diante é o mais básico possível, o mais branco que tiver!

Ao finalizar o desafio, depois de influenciar tantas pessoas a brincarem com a cor vermelha e ter virado referência quanto ao tom, a lição que ela tira é que se vestir é uma brincadeira. “A gente pode fazer o que quiser com as roupas! É muito legal você explorar coisas diferentes e se colocar em situações e desafios. Eu gostaria de ter ficado um ano, mas eu não teria roupa o suficiente. Mas 126 dias foi legal”, conclui.

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