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Squad Brazil: 10 modelos para conhecer

Squad Brazil: 10 modelos para conhecer

Nas últimas semanas foi difícil não ouvir falar sobre a Squad, uma agência de modelos, coletivo de street casting e digital influencers.

E antes que você pense que a Squad é apenas mais uma agência no Brasil, proponho que você pense no oposto do que todas as agências fazem. Pensou? Pronto, agora você sabe o que é a Squad. A proposta é basicamente fugir dos padrões de beleza de modelos brancxs, altxs, loirxs, magrxs, olho claro. Ao invés destes, tomam lugar na agência negrxs (com seus cabelos mais do que naturais), tatuadxs, mulheres que preferem não ceder à depilação. Enfim, pessoas reais, pessoas que tem seu estilo próprio e de atitude.

Com essa mudança, que procura inovar o mundo da moda, separei dez modelos (todos recrutados pelo Instagram) para falar um pouco sobre eles, sobre a Squad e como é trabalhar com essa proposta.

Foto: @deadtwink
Foto: @deadtwink

Davi Von Giller Parisi, 21 anos – Curitiba – PR
Davi é artista e, de todas as artes, a moda sempre foi sua preferida. Aos dez anos ele já fazia roupas para seus gatos e aos 19 entrou na faculdade de moda, mas não chegou a se formar.

No dia em que foi chamado, Davi conta que teve uma crise de pânico durante um almoço em família em que ele ouviu diversos comentários machistas, homofóbicos, racistas, sobre doenças, catástrofes, mortes e também o incentivando a não seguir a carreira que escolheu. Após sair correndo do almoço ele chegou em casa e recebeu a direct de Thais, uma das pilares da Squad. “Aceitei como um sinal do destino, foi realmente muito estranho, topei na mesma hora, obviamente”, ele conta.

No dia da sessão de fotos, Davi relembra que eles nem se quer tiraram suas medidas. Ele foi fotografado com a roupa que ele queria, escolheu a maquiagem, a música e o fotógrafo o deixou a vontade para fazer as poses que mais gostava.

Foto: @atnirvana
Foto: @atnirvana

Nirvana Gonçalves, 22 anos – Rio de Janeiro – RJ
Nirvana é estudante de Marketing e trabalha de forma independente com a direção de photoshoots, criação de ideias e conceitos.

“Acho que por eu já produzir meu próprio conteúdo de moda (e modelar para minhas próprias fotos) chamou a atenção de Thais”, ela esclarece. Para ela, a marca tem tudo para dar certo por aqui; “As pessoas querem mais representatividade e estão exigindo isso até da própria Squad […] acredito que além das agências, é preciso pressionar as marcas pedindo a inclusão de mais modelos fora do padrão.”

Foto: @alexmourap
Foto: @alexmourap

Alex Moura, 24 anos – São Paulo – SP
Alex trabalha na área de marketing da Squad e também é um dos modelos, mas ele prefere dizer que brinca de ser modelo. “Eu sou da equipe de modelos da Squad por pára-quedas, sou de uma outra agência de modelos, mais voltada para o ramo fashion e internacional”, explica.

Ele admite que temos um mercado de moda defeituoso e bagunçado e a procura por modelos fora do padrão tem sido grande, neste contexto, Alex explica porque essa ideia não deu certo ainda: “a exploração e o pagamento pingado é pouco para os modelos e tem vindo de forma abusiva. A ideia da Squad é dar mais profissionalismo nisso.”

Foto: @tashaokereke @tracieokereke
Foto: @tashaokereke @tracieokereke

Tasha Egine Okereke e Tracie Ona Okereke, ambas 20 anos – Jardim Peri – SP
Além de serem modelos da Squad, as irmãs gêmeas trabalham com camelô e no shopping durante a semana. O envolvimento delas com moda não para por aí, elas são donas do blog de moda Expensive Shitt, que é voltado para negras jovens da favela. Tasha conta que elas já foram chamadas por outras agências para serem modelos, mas eram convites que elas consideravam “furados”. As gêmeas já participaram de alguns videoclipes como Flow MC – Quartinho Obscuro, Bombastic – 5para1, MC Britinho – Kitnet entre outros.

Tasha também define o trabalho da Squad como algo totalmente orgânico. “Eles fazem jus a chamada “come as you are”. Eles nos prometeram não alterar em nada nossa imagem.”

Foto: @heloomuniz
Foto: @heloomuniz

Heloísa Muniz Anicio dos Santos, 20 anos – São Bernando do Campo – SP
Desde criança Heloísa desenha e costura. Ela é formada em Consultoria de Imagem e Estilo, mas atualmente trabalha como assistente administrativa de uma fábrica e equipamentos elétricos.

Antes de ser chamada pela Squad ela já passou por cerca de seis agências, mas sempre tentando alcançar os padrões pedidos. “No começo eu alisava meu cabelo, porque era mais aceitável. Já tive proposta de raspar também, porque assim esconderia o meu cabelo crespo.”

Para ela, o Brasil aceitando ou não a proposta da Squad, eles continuarão batendo de frente com toda padronização que tentam nos limitar. “Em um país tão rico quando falando de diversidade e miscigenação, temos que valorizar. Principalmente na moda, onde tudo move muita coisa” e conclui “há dois anos aceitei meu cabelo, aceitei meus traços de uma mãe negra e a Squad veio para isso, para tirar todos esses padrões. Vai ter gordinha, tatuada, crespas e carecas na moda sim!”

Foto: @natalyneri
Foto: @natalyneri

Nátaly Neri, 21 anos – Guarulhos – SP
“Na Squad não sou somente a Nátaly Neri, uma modelo negra de aparelho, baixa e de cabelos verdes. Sou quem eu sou, com todas as minhas crenças e ideologias.” É assim que a estagiária de escola pública define seu trabalho na Squad. Quando criança ela já tinha o sonho de ser modelo e por algum tempo correu atrás com sua mãe. “Depois de pouquíssimo tempo tentando, percebemos que esse sonho não combinava com nossa condição financeira.” Mas com a Squad ela conta que em momento algum teve gastos para participar da ideia. Apesar da quebra dessa barreira, para Nátaly, o melhor da agência é o respeito que eles têm com os modelos, de não os alterarem em nada ou os tratarem, como ela própria diz, como meros rostos ou cabides esvaziados de conteúdo.

Nátaly se dedica em seu tempo livre ao seu canal Afros e Afins, no qual ela fala sobre seus conhecimentos (ela é do ramo de Ciências Sociais) e também sobre moda. “Ensino a costurar, customizar roupas e compartilho todos os meus segredos e técnicas de garimpo em brechó, sempre estimulando um consumo consciente, e sendo eu mesma um exemplo de como podemos nos vestir como quisermos sem gastar rios de dinheiro”. Nátaly se firma como feminista negra e procura trazer à tona discussões sobre identidade negra e autoestima para estas mulheres em especial.

Foto: @tranquiloziggy
Foto: @tranquiloziggy

Felipe Vila (Ziggy), 27 anos – Mooca – SP
Além de trabalhar na Squad, Felipe trabalha em uma loja de moda urbana. Por fora desta loja, ele desenha suas próprias peças de roupas e pretende lançar em breve algumas peças em coleções cápsulas. Para ele nada é tão marcante para o consumidor quanto a proposta de sair do padrão com modelos.

Foto: @g4br13ll4cl3m3nt3
Foto: @g4br13ll4cl3m3nt3

Gabriella Francyne Clemente, 20 anos – Curitiba/São José dos Pinhais – PR
Estudante de moda, Gabriella trabalha em uma confecção de roupas fazendo criação e desenvolvimento de peças. Por acreditar que não segue o padrão estético que o mercado pede, ela diz que nunca pensou em se agenciar. “Não tenho altura, com certeza iriam querer mudar coisas em mim e sempre senti que não teria muito trabalho”. Agora, com a entrada na Squad, ela acredita que as marcas irão se adaptar e para aceitar sim essa fugida do padrão.

Foto: @marinaravok
Foto: @marinaravok

Marina Moraes, 23 anos – São Paulo – SP
Dona de um brechó físico e assistente de criação da estilista Paula Raia, Marina já chegou a ser agenciada quando criança. Marina entende que nem todas as marcas estarão abertas para trabalhar com modelos da Squad. “Eu que trabalho nessa área vejo que as empresas ainda preferem modelos “padrões”, as altas (de 1.72 pra cima), cabelo natural, com medidas padronizadas de quadril, busto, ombro, etc.” Para ela, as marcas que aqui no Brasil já começaram a quebrar esse padrão são um grande incentivo para revolucionar esse aspecto da moda no país.

3 comments

  1. Meu Deus, que material mais bem produzido e reportagem bem escrita. Parabéns!

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