Close
Tudo que aconteceu na moda em 2017

Tudo que aconteceu na moda em 2017

Tendências

A meia arrastão foi uma das tendências que mais marcou 2017. Antes considerada um item sexy demais para o dia a dia, ao decorrer do ano a meia ganhou os looks alternativos. E ao que tudo indica a arrastão que deu espaço para as sandálias com meias serem tendências na moda também. Ambas as foram ditadas por grandes personalidades como Kendall Jenner e Rihanna e em pouco tempo incorporada às fashionistas e às passarelas.

As criaturas mitológicas e surreais também ganharam a moda. Unicórnios e sereias foram febre além das estampas de roupas e invadiram também as pinturas de cabelo e bebidas do Starbucks. Com as sereias houve até venda de caldas! Também presenciamos a tentativa de incorporar o véu como uma tendência por parte de algumas marcas como Dolce&Gabanna, H&M e Nike. Essa peça, em especial, gerou bastante polêmica, principalmente porque muitas mulheres muçulmanas não gostaram da investida, já que para elas o véu é um símbolo religioso.

O feminismo incorporado a moda foi também um dos grandes destaques de 2017. Quem deu o pontapé inicial foi a Dior, com a camiseta estampada com a frase ‘We should all be feminists’, do discurso da ativista feminista Chimamanda. Maria Grazia Chiuri é a primeira mulher a assumir à frente da Dior e em momento algum escondeu seu lado feminista.

Já em sua primeira coleção o feminismo tomou conta das peças com as frases de protestos. ‘Why have there been no great woman artists?’ (Por que não existem grandes artistas mulheres?) foi uma das outras frases estampada e bastante comentada. Em pouco tempo outras grifes e as marcas de fast fashion incorporaram o feminismo em suas coleções também.

Semanas de moda

Esse contraste do feminismo na moda abre espaço para discussão política na área. É aí que entra a Semana de Moda de Nova York, que aconteceu em fevereiro. Com o governo Trump assumindo, Tommy Hilfiger colocou em seus desfiles modelos com bandanas brancas pela tolerância. A revista Elle Brasil abraçou a causa e em uma de suas edições deu as bandanas assinadas pela Ellus para seus leitores. Surge assim a luta no meio online com a hashtag #TiedTogether.

Final do desfile de Tommy Hilfiger com as bandanas brancas em todas as modelos

Calvin Klein foi além e em sua trilha sonora do desfile tocou ‘This is not America’ de David Bowie. Prabal Gurung desfilou suas modelos com frases como ‘Quebre os muros’. Pyer Moss colocou fotos do seu pai haitiano nas estampas das camisetas e usou frases como ‘Nothing to say’ em referência à alfândega. LRS Studio usou em suas calcinhas a frase ‘Nada de banimento, nada de muro’ e a Diesel trouxe uma campanha com uma série de fotos dizendo ‘Faça amor, não muros’.

Outro momento marcante NYFW foi o desfile de mulheres com câncer de mama. Com cicatrizes das cirurgias à mostra, meia dúzia de mulheres apresentavam as lingeries da AnaOno Intimates. Já a semana de moda de Londres, que ocorreu em setembro, evoluiu ao vetar das passarelas desfiles com peles de animais. A ordem veio do Conselho de Moda Britânico. A SPFW teve seus erros e acertos. Dos acertos podemos destacar os desfiles da UMA, ELLUS e Reserva que tinham em seu casting modelos com mais de 40 anos – mais sobre a tendência aqui.

Modelo que teve as mamas retiradas desfilando para AnaOno-Intimates

Dos pontos negativos temos o episódio de racismo que aconteceu com o rapper Evandro Fióti, fundador da grife LAB com o cantor Emicida. Fióti foi barrado por um dos seguranças de entrar no evento sem nenhum motivo e mesmo usando a credencial que o dava acesso. “Ser preto é ser barrado pelo segurança do evento até mesmo quando é da sua marca”, desabafou o rapper nas redes sociais.

Na semana de Alta-Costura de Paris o funk carioca marcou presença. A estilista Isabel Marant não hesitou em abrir a sua coleção com a letra do funkeiro Jonathan Costa que dizia “Dance potranca, dance com emoção”. Houve também acusações de plágio no desfile de Viktor & Rolf (foto na capa da matéria). Um estudante afirma que enviou seu portfólio para marca buscando um estágio e viu todas suas ideias copiadas pela mesma na temporada de Alta-Costura de Paris. Outras notícias sobre a PFW você pode conferir na matéria que o VP fez na época.

Para finalizar as semanas de moda, em Milão supermodelos dos anos 90 fizeram uma homenagem ao criador da Versace. Em 2017 foram completados 20 anos da morte de Gianni Versace e Naomi Campbell, Cindy Crawford, Claudia Schiffer, Carla Bruni e Helena Christensen desfilaram pela grife a pedido de Donatella.

Outros destaques
Para os amantes de moda, o Google lançou a plataforma We Wear Culture, reunindo em um só link 3.000 anos de moda, indo de museus a acervos dos maiores nomes da moda. Para os amantes de séries, a Netflix finalmente disponibilizou GirlBoss, mas a chuva de críticas negativas ao comportamento da personagem principal, Sophia Amoruso, fez com que a série não só tivesse uma baixa audiência como também fosse cancelada.

Para os amantes da moda sustentável e do slow fashion, teve o apelo surpreendente da Vivienne Westwood para se comprar menos, escolher melhor e fazer durar, o que ajuda a não só diminuir o impacto ambiental da moda – uma vez que está é a segunda indústria que mais polui – como também pode diminuir o trabalho escravo, visto que recentemente recebemos a notícia de que 37 marcas de moda no Brasil se envolveram com trabalho escravo nos últimos 8 anos.

Para os amantes da Vogue, pela primeira vez em cem anos um homem negro assumiu a direção da bíblia da moda. Edward Enninful entrou para o time da Vogue britânica em abril e em julho uma bomba estoura dentro da revista. Edward começou um novo time e demitiu Lucinda Chambers que estava há 36 anos na revista. Em entrevista, Lucinda soltou frases polêmicas como “Verdade seja dita, não leio a Vogue faz anos”, “As roupas [apresentadas na revista] são simplesmente irrelevantes pra maioria das pessoas”, “A moda pode te mastigar e cuspir”. A Condé Nast acionou advogados assim que a entrevista saiu e em pouco tempo a matéria já não estava mais no ar.

Edward Enninfu, diretor da Vogue britânica

O ano, que foi repleto de ativismo e demonstrações da força da mulher, fecha com revoltantes acusações de assédio sexual cometidos por Terry Richardson, um dos grandes nomes da fotografia de moda. Terry coleciona acusações desde 2010 em que modelos contam que o fotógrafo exigia que elas tocassem seu órgão sexual e que ele prometia editoriais da Vogue para iniciantes caso elas transassem com ele. A Bulgari, Valentino, Diesel, Vogue e Vanity Fair foram alguns nomes de peso que cancelaram trabalhos com ele. Recentemente Terry dirigiu o clipe ‘Vai Malandra’ da cantora Anitta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Close