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Veine, a marca curitibana que aposta na moda sem gênero

Veine, a marca curitibana que aposta na moda sem gênero

A moda se trata de costumes que prevalecem dentro de grupos sociais. Esse costume pode ser a maneira de se vestir, de comer, de ouvir ou assistir algo. “Eu gosto de pensar que existem outros sentidos possíveis, ou que então a gente não faz moda, porque vista dessa forma [a moda] remete ao aceitável, ao ditado, o que agrada fácil”, afirma Erich Zelazowski, estilista, designer e criador da marca curitibana Veine.

Em francês a palavra Veine significa veia. Mas, como o próprio criador coloca, a Veine é uma marca com pegada mais minimalista que remete a algo um pouco frio e que busca fluidez entre gêneros sempre aliando design e conforto. A Veine ainda trabalha dentro um conceito de moda libertária em que eles podem ser ricos em detalhes ou minimalista, colorido ou não. Mas sempre sendo algo que vá de encontro a vontade de quem vai usar e não o que está na revista.

O conceito de moda libertária (em que cada pessoa usa a peça que preferir, sem ligar para as regras que já foram ditadas) usada na Veine não foi planejado desde o começo da marca. De acordo com Erich, foi um processo bem natural de perceber que as peças não eram adquiridas necessariamente por pessoas do gênero que elas tinham sido pensadas. Essa subversão dos gêneros das peças foi algo que aconteceu sem esforço. “A decisão de abraçar isso foi tão fácil quanto lógica!”.

Se você não sabe o que é uma moda sem gênero, o estilista explica que se trata simplesmente das mesmas roupas sendo usadas pelas pessoas independentemente do seu sexo. A gente já falou sobre o tema pelo VP nesta matéria. Esse novo jeito de consumir moda, para o designer tem um certo frescor por ser um tema em pauta e ter marcas super cool liderando. Mas a Veine está nessa bem mais pelo caráter político da coisa, pela bandeira do direito individual de ser quem você é.

Além do sem gênero, a Veine também aposta no conceito do Slow Fashion, termo que surgiu como alternativa à indústria fashion de massa. No Slow, menos peças são produzidas, com preço mais elevado, mas com mais qualidade e durabilidade. No slow fashion (moda lenta, em português) no momento da produção das peças há uma preocupação com o meio ambiente e o consumo ético.

“Consumir localmente gera riqueza. Grande parte dos profissionais precisam dessa riqueza gerada. O dinheiro que a gente entrega pras multinacionais, tirando o que é pago de contas com funcionários e aluguel, vai para um buraco negro. É um dinheiro que deixa de circular por aqui, empobrecendo a economia local. Além disso, o consumo local fomenta gastos e uma poluição que são desnecessários, como gastos com transporte, por exemplo”, aponta Erich.

Outro ponto que ele levanta sobre o consumo em multinacionais é a falta de consciência [dos consumidores], uma vez que muitas pessoas acham vantajoso comprar de uma multinacional, porque muitas vezes é mais barato, mas conforme se consome destas marcas, vai se aumentando a exploração de pessoas envolvidas [como a escravidão] e a poluição do planeta. Além do fato que a maioria dos produtos são de baixa durabilidade e que são feitos para serem descartados logo.

A marca também não opta pelo padrão das grandes marcas com coleções de primavera/verão ou outono/inverno. “Ao invés de chamar de coleção, chamamos de tema, dessa forma podemos estender isso, criar peças de determinado tema em climas diferentes. Pode até ter entrado outro tema [ou tendência] e continuamos utilizando, isso tem muito a ver com o fast fashion, usar cores e referências que estão em alta, mas que vão cair e em breve você será obrigado a comprar o que é lançamento”.

Apesar de ter alguns serviços terceirizados, todos são com empresas locais. A Veine também utiliza produtos em sua confecção exclusivamente nacionais.

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